sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Resolução para este Natal: arranjar forma de devolver beijinhos de uma pedinte romena

Há uns dias, nas traseiras dos Armazéns do Chiado, umas jovens (aparentemente) romenas pediam assinaturas perto do meu carro pessimamente estacionado mesmo à boca do metro. Uma delas aproximou-se de mim com caneta e papel, e deu 3 beijinhos simpáticos na caneta e na minha direcção. Eu achei o gesto muito querido e ainda peguei no papel naquela de “Deixa lá assinar esta petição que reclama por melhores direitos para os emigrantes e isso”. O topo da folha dizia qualquer coisa sobre melhores acessos e as três colunas na folha estavam reservadas a nome, código postal e quantia a doar (20€ em média). Os segundos de reflexão não chegaram para entender bem como é que a quantia seria cobrada só com o código postal (um homem do fraque romeno talvez), mas achei melhor devolver a caneta beijada e o papel.

A culpa só bateu forte quando a miúda ficou a olhar para mim com cara de quem queria os seus três beijinhos devolvidos.

Desculpa, Saraponova.

sábado, 29 de novembro de 2008

Definição alternativa de amizade #302

Amizade é também gozar de um jantar com aqueles de que mais se gosta e no dia seguinte ser confrontado com a questão:”Então? Estás também de caganeira?”

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pets em horário matinal

Vale a pena recordar os brilhantes primeiros versos da “Pets” de Porno for Pyros (obsessão recorrente):

children are innocent
a teenager's fucked up in the head
adults are even more fucked up
and elderlies are like children

Nem que seja para entender um pouco melhor que inconsciência leva uma mãe a ir ao programa da Fátima Lopes falar sobre um filho que desapareceu de casa e que depois voltou, referindo as inseguranças do miúdo e tudo mais (convenientemente acompanhado por piano dramático). Eu sei que todo este carnaval dramático é moeda de troca em talk-shows manhosos, mas o caso toca-me porque o miúdo tinha o meu nome e porque também eu já tive aquela idade, e creio que a última coisa que queria ter era a minha mãe a falar sobre mim na televisão. Momento triste de televisão por todos os motivos excepto os desejados pela produção.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A interpretação vai torta, jamais se endireita

Pelo que vi hoje num episódio de “Vip Manicure”, o Zé Pedro de Xutos, que participava como convidado especial, bem merecia a nomeação a Razzie para Pior Interpretação Casual em Série de Humor Lastimável. Principalmente quando comparado com o papel de Guitarrista Famoso que desempenha exemplarmente em concertos de onda fixe.

sábado, 22 de novembro de 2008

Sou um Benfiquista atípico

Falava hoje com alguém que adora bola tanto como eu, quando cheguei à conclusão de que, para mim, os mais extraordinários e memoráveis clássicos, em que o Benfica venceu os principais rivais Porto e Sporting (por 2-1 (a.p.) e 0-2, respectivamente), foram precisamente aqueles que não vi por motivos maiores.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Ontem um marroquino tentou-me convencer a aceitar um papel secundário num episódio-piloto de calibre HBO

Plantado numa esquina do Bronx, cara de mau e cabeça coberta por um gorro do “Ocean’s Twelve”, à espera que um grupo de marroquinos me entregasse um saco com roupa (provavelmente suja) que deveria depois trazer para território europeu, nas barbas da mais rigorosa alfândega do mundo.

O meu instinto Russell Crowe obrigou-me a recusar de imediato o papel.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Encontros imediatos do envernizado grau

(ou o mais delirante diálogo de ocasião protagonizado à entrada do Lidl por dois ex-colegas universitários com vidas bem mais sérias do que há uns anos)

Eu: Então? Tudo bem? Estás-te a dar bem por cá? Eu da outra vez reconheci-te, mas não tive a oportunidade de meter conversa…

C.: Ya, aqui ´tá-se muito bem. Sou dos Açores e aqui fica também à beira-mar.

Eu: Pá… Ainda me lembro de quando me pintavas as unhas nas aulas de Estudos Camonianos!...

C.: Sim, vou andando que tenho o bebé à espera no carro.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ensaio sobre a soneira

Depois de quase tudo já ter sido dito acerca das qualidades e defeitos do “Ensaio sobre a Cegueira”, o Panda Minimalista propõe cinco tópicos inteligentes para serem debatidos após o filme no regresso a casa (em boa companhia):

- O peito da Julianne Moore, filmado numa cena de chuveiro quase “exploitation”, não perdeu algum encanto desde o “Boogie Nights”?

- Que porra de motivos levam o Danny Glover a procurar redimir-se dos policiais maus ao lado do Mel Gibson em filmes de perfeita miséria desumana ampliada em espaços restritos? (desta vez, nem foi obrigado a comer carne de burro, vá lá)

- Alguém, além de todo o batalhão de críticos que espumaram pela boca em Cannes, é capaz de negar que a credibilidade do Fernando Meirelles tem vindo sempre a descer? Será que ele ainda não compreendeu que a overdose estética não encobre uma narrativa claramente débil? Sou só eu que não suporto a expressão sempre dolente dos protagonistas masculinos nos últimos dois filmes dele? (o Mark Ruffalo passa dois terços do filme com cara de quem está aflito para cagar)

- Que música de Joy Division melhor serviria à cena em que as mulheres se encaminham para o “Ward Three” governado pelo García Bernal? (tópico lançado pelo M. in-loco)

- Serei só eu altamente perverso, ou aquele cão dos últimos vinte minutos não contava já com uma carreira estável em filmes de bestialismo e adaptações de Stephen King para cinema? O agente dele não percebeu que era muito arriscado aceitar este papel num filme tão inconsequente e a tempos patético?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A minha previsão para as presidenciais norte-americanas

Caso o Obama ganhe as eleições de hoje, tenho a certeza de que a equipa de casting do Oliver Stone iniciará de imediato uma mórbida selecção mental do melhor actor afro-americano para interpretar o papel do “Black Kennedy” num filme que tem “BA” como título de laboratório (e talvez definitivo). Deposito a mesma certeza na previsão de que a produção do tal filme seria claramente apressada em caso de atentado no futuro.

Ainda assim, a Estrada Nacional nº 247 está com o Obama.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Salmo 21:30

Interrompi com o botão de recusa uma chamada que me chegava ao telemóvel durante um momento espiritual-emo.

Minutos depois enviei a seguinte sms:”Desculpa. Estava a meio de uma oração.”

A pessoa ligou e, depois das primeiras palavras trocadas, perguntou curiosa:

“Que oração?”

Eu respondi casmurro:

“Vinte e uma e trinta.”

(foi tanto o riso de parte a parte que acabei por pedir que ligasse cinco minutos mais tarde)

Estoyo doyo lutoyo

Traduzido em português significa que estou de luto. Isto porque o Manjerico d’ “Os Amigos de Gaspar” suicidou-se momentos após ter visto o Sérgio Godinho a publicitar o novo espectáculo da “Rua Sésamo”.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Out of the ground, into the sky / Out of the sky, into the dirt

Sou obrigado a amar com uma intensidade diferente o familiar que me proporciona um diálogo como este que se segue.

Passados 3 minutos de uma boleia que me levaria até ao stand da Citroen, para ir buscar o meu carro, parámos no Seixal para que o meu tio fosse entregar umas cartas.

À janela, reparei que o céu não era completamente limpo porque pairava por ali uma nuvem excepcionalmente bonita e com uns contornos diferentes. Divaguei e fui estabelecendo semelhanças entre a nuvem e várias coisas: um ciclone de algodão, um óvni (e o cliché disso), uma parabólica. Decidi-me entretanto por um bico de águia apontado ao céu (ainda inspirado pelo golo em Berlim, talvez).

O meu tio voltou ao carro e chamei-lhe a atenção para a nuvem. Ninguém mais no mundo poderia ser tão implacável na razia das minhas merdices até aí armazenadas.
- É uma nuvem do frio. E esta noite vem aí um frio que até fode…

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Errata

Estava errado o post em que eu previa que a menina Vanessa Palma da "Roda da Sorte" muito mais depressa posaria para uma revista masculina do que o Herman se reformaria. Ao que parece, isso já aconteceu em Agosto deste ano, o que só prova como sou geralmente desatento em relação a essas publicações.

Corte clássico

Certas vezes, uma pessoa é obrigada a ficar satisfeita mesmo quando contrariada. Nos últimos dois anos ou isso tenho cortado o cabelo no P. e é frequente pedir para cortar uns 2 ou 3 dedos. Para ficar com uma touca para o Inverno, disse eu desta vez. Ele avisa Eu vou cortando até achares que está bom. Acontece que depois começamos a falar de bola muito entusiasmados e dou por mim com o cabelo muito mais curto do que desejaria. É ainda assim o melhor corte de cabelo de que lembro (excepcionando talvez um corte de cabelo mais distante no tempo, mas igualmente presente na memória pela tradição tailandesa do mesmo).

A formação de barbeiro do P. é essencialmente militar, tanto quanto sei. E onde moro ele é lenda entre o pessoal da minha idade pela maneira como fazia frente aos bófias na mocada e um pouco também por ter sido front-man de bandas de metal que fizeram história nas traseiras do Secundário onde estudei. A verdade é que um gajo distrai-se enquanto fala e eu consinto na boa um corte “à tropa” quando ali vou. É agradável saber que são mínimos os índices de poseur em mim quando prefiro uma boa lição de bola a um penteado tão evidentemente nerd como eu desejava.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O fiasco de uma mosca que tentou fazer uma cover livre de Radiohead na minha mesa de jantar

Matei hoje uma mosca que, na sua útlima cambalhota, aterrou num limão. Olhei para o seu corpo esmagado e pareceu dizer-me:"Tonight I died sucking a lemon".