sábado, 14 de novembro de 2009

Acerca dos filmes sensação “The Girlfriend Experience” e “O Anti-Cristo”

Eu não vou tropeçar nos “spoilers” para não prejudicar as 3 pessoas que me lêem.

Recebido por uma plateia cheia de gente, o “Experience” gerou logo riso na tradução do título que é qualquer coisa como “Confissões de uma namorada de serviço”. Eu até compreendo a necessidade, mas um título assim irá induzir em erro muitos pornógrafos, além de ser ligeiramente ridículo. Antes disso, alguém na sala disse bem alto “pashasha” dando voz a um trocadilho que vinha com todos no carro. Riso acidental da mais elevada qualidade e tudo isto nos primeiros dois minutos.

Posto isto, eu acho que o Soderbergh podia ter um filme bem mais impenetrável se quisesse entrar pelo seu terreno de “arte e ensaio”. “The Girlfriend Experience” não é puro Soderbergh de câmara digital na mão e tem uma variedade de putanheiros que dá cor (ou tira cor) a um filme essencialmente preenchido por diálogos. 72 ou 77 minutos (ainda não percebi bem) são estupidamente eficazes e suficientes para unir os pontos de uma história objectiva e, noutra frente, abrir as vias para interpretações ligadas ao muito mais subjectivo enquadramento político-económico do filme.

Com 21 anos, a Sasha Grey é o exemplo máximo de como a internet precisa apenas de 1 ou 2 anos para informar um utilizador daquilo que a televisão e as revistas ofereciam em 10 anos. A Sasha é talvez a primeira porn-star precoce e sofisticada precisamente devido à velocidade da luz da internet.

“O Anti-Cristo” fez-me lembrar “O Exorcista” no clima e andamento. O cerne é essencialmente o mesmo. Além disso, é um dos poucos filmes contemporâneos capaz de fazer alguém pensar em ter ambulâncias à porta das salas, como aconteceu com “O Exorcista” naquela altura. Essa electricidade e ansiedade era palpável (o M. disse que já não via tanta pressa para entrar desde “O Regresso de Jedi”). No cinema, havia quem rezasse o “Pai Nosso” antes do filme começar. Perdoai as ofensas do Lars Von Trier e não as nossas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O absurdo e o vazio na rádio

Não é de agora o profundo asco que tenho pela Mega FM, a que tenho de me sujeitar mais ou menos diariamente. A playlist não deve ultrapassar os 70 temas, repetidos até provocar indisposição física, entre um e outro sketch humorístico feito com uma competência que não chega certamente ao critério de quem escolhe a música. O meu repúdio não é pelos êxitos pop ou pela Lady Gaga, mas pela forma como a Mega FM entende que deve tratar os ouvintes, servindo-lhes as mesmas músicas todos os dias. Eu até acredito que a dieta sirva para muitas pessoas (encantadas com a possibilidade de viver todos os dias com a mesma banda-sonora). A mim faz-me sentir no lugar do Alex, no “Laranja Mecânica”, quando é obrigado a ver atrocidades nazis sem fechar os olhos.

O vazio da rádio amplia-se quando ultimamente, em período eleitoral, a Mega FM reserva um tempo de antena aos diversos partidos. A falta de material traduz-se no mais absurdo e vazio período de rádio que já escutei: em sequência, a rádio emite um comunicado que refere que X partido não forneceu material para o seu tempo de antena e toca depois um instrumental com piano completamente genérico e pronto para elevadores que nunca mexem. Fica a ideia de uma estrutura exposta até serem visíveis os alicerces da rádio como instrumento de propaganda. Durante vários minutos, faz-me sentir como se estivesse a viver na antiga União Soviética (exceptuando a diversidade de escolhas). É tão francamente estúpido que acaba por ser interessante. Uma rádio anuncia o vazio, passa a música de piano, repete isso 4 ou 5 vezes, até depois surgir um partido que faz tocar o seu hino de alvorada e de todos unidos vamos dar cabo deles.

Que haja sempre uma Mega FM como contraponto merdoso para entender melhor a óptima qualidade de outras rádios.

domingo, 27 de setembro de 2009

Fantasia para “Good Love”, de Bat for Lashes

Não te mexas, ou então oferece-me esses últimos 30 segundos em loop. Modera a graça que trazes até este parking, porque atrapalho-me a contar moedas nestas situações. Denuncia depois a farsa que encurrala as pessoas neste dia soltando os pés descalços sobre um muro curto. E, se caíres com algum aparato, o refrão de “Good Love” há-de amparar-te porque a música das fadas está sempre contigo, ao lado dos cogumelos e outros talismãs.

Passou por nós num sonho.

sábado, 19 de setembro de 2009

Fantasia para “Grounded”, dos Pavement

Eu tenho a certeza de que podia reiniciar a faixa mil vezes e apaixonar-me de novo cada uma dessas mil vezes. Entretanto, vou passeando este carrinho pelos atalhos destes subúrbios como quem nos embala nesta noite de domingo de outra forma sempre difícil de superar. E é bem provável que a guitarra dos primeiros 30 segundos alumie o caminho até tua casa, porque eu não tenho grande sentido de orientação nesta segunda circular que me é estranha. Vou carregar no botão que reinicia a música número cinco deste disco, deixar que o camião acabe a manobra complicada, recuperar o teu perfil a cada semáforo vermelho, observar os teus últimos rituais do dia e depois adormecemos a falar de bandas como os Pavement.

Nunca se sabe quando a ponte cai.

sábado, 12 de setembro de 2009

Os pontapés-canhão do Macau

Lembro-me bem de como o Macau chegava muitas vezes ao centro do recreio, pegava numa qualquer bola e chutava-a para parte incerta do colégio. Era um gesto de força bruta e um pontapé daqueles é sempre admirável quando se tem 12 anos. Os pontapés do Macau nem sequer rematavam a bola no sentido normal. Ele deixava cair a bola do ar e o pontapé-canhão devolvia a bola ao ar. Fziuuu…Pum!! Um puto, com a dose suficiente de Charlie Brown e banda-desenhada na cabeça, imaginava até que a bola ficava a pairar lá por cima e que descia no dia seguinte. Numa segunda-feira com os pés mais na terra, tentávamos adivinhar em que parte caiu a bola nos momentos seguintes (teria sido junto de Trabalhos Oficinais ou mais para o lado da Primária?).

Reencontrei o Macau muitos anos depois e disse-lhe que ainda era lenda entre nós (culto menor formado por mim e o meu amigo de escola M.). Depois pensei que os pensamentos expostos online são um bocado como as bolas chutadas pelo Macau: alguém chuta-os com força e pode até ser fiquem perdidos numa lua Charlie Brown / Calvin ou que decidam um dia descer à terra, pode até ser que fiquem entalados num telhado ou que aterrem em cima da cabeça de alguém. No fundo, é só mais uma maneira de perspectivar o tal “What goes around comes around” deixando-o aberto à hipótese do foguetão não voltar. Sou capaz de um dia abrir um spin-off do Panda com o nome “As Bolas de Macau”.

domingo, 6 de setembro de 2009

Buraco Negro



Lembro-me do livro quando as notícias falam dos jovens adultos como a faixa mais sensível ao “bicho”. Já não sei bem o que é olhar para uma ferida sem recordar o livro. É possível pensar em freaks sem voltar ao livro? Aconselha-se cautela: existe um antes e depois de “Black Hole”. É mesmo tudo o que o nome faz adivinhar.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Frightmare




E, caso o meu comportamento não seja muito normal ou os meus posts não revelem especial coerência, podem culpar a Cascade, casa de software que programou o temível "Frightmare", poderoso mindfuck (feito essencialmente de símbolos bizarros) que abala a cabeça de um miúdo com livre acesso a um ZX Spectrum.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Moonwalker na vanguarda




Cada vez acredito mais que a verdade está nos jogos. O "Moonwalker", lançado para arcade pela Sega em 1990, denuncia, com 10 anos de avanço, uma das suspeitas que mais perseguiu o Jacko. Nesse jogo ele luta gangsters e robots para salvar criancinhas. As crianças surgem intermitentes alternando entre a figura e um balão estridente de "Help!". Pediam ajuda no jogo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Disney compra a Marvel por 4 bilhões de dólares (que grande merda)



Agora que a Disney comprou a Marvel, não quero saber da conciliação do Quarteto Fantástico com o Dr. Destino, nem tão pouco me interessa ver o Octopus a tomar chazinho e torradas com o Homem-Aranha. Não me tentem vender um jogo em que o Wolverine arranja as flores de jardim em vez de esmagá-las à porrada com o Sasquatch ou outro macaco qualquer. Acontecimentos irreais só mesmo numa história “What If?”. Mesmo assim, não quero saber. O Tocha Humana deve continuar a ser um herói melancólico, mas poupem-no, por favor, de ser mais um órfão obrigado a ser adulto. O Hulk e o Coisa foram feitos para andar à porrada num ringue e não para guiar o mesmo barco com trajes ridículos. Se eu quiser ver mariquices, alugo “A Dama e o Vagabundo” no MEO ou vejo o “Monstros e Companhia” no dia de Natal. Parte isto tudo, Namor. Manda vir aquela baleia gigante. Não me desiludas nesta altura tão delicada em que todos os heróis foram comprados ou estão mortos.

domingo, 30 de agosto de 2009

A Tuga

A haver um cânone que define o “ser português” nos últimos 2/3 anos, eu diria que passa obrigatoriamente pelo filme “Aquele Querido Mês de Agosto”, pela série “Um Mundo Catita” e pelos discos de B Fachada e João Coração. Todos deviam ser obrigatórios para entender e obter a cidadania portuguesa. E estar a par do que se passa na bola, claro.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O rabo atraente como símbolo de desorientação no cinema

Existe um princípio de padrão que une três dos rabos mais vistosos alguma vez surgidos no cinema: Brigite Bardot, em “Le Mépris” (1963), Scarlett Johansson, em “Lost In Translation” (2003) e Paz de La Huerta, no último filme de Jarmusch “The Limits of Control” (2008). Todos proporcionam uma noção de desorientação a filmes centrados num personagem masculino que transita numa viagem / missão de descoberta.

O padrão vai além disso: o rabo de Paz de la Huerta, em “The Limits of Control”, tem um impacto semelhante ao de Bardot no filme de Godard, na medida em que surge como um golpe perfeitamente frontal pronto a cortar a respiração. São quase armadilhas de magnetismo que desviam a atenção da sua meta. Durante alguns segundos, somos levados a crer que a inabalável contenção do protagonista zen de “The Limits of Control” pode finalmente estar sob risco quando se depara com a divinal Paz de la Huerta deitada de barriga para baixo sobre a cama e envergando uns óculos de massa que também contribuem para o cenário de tentação (“óculos de massa como símbolo de desorientação” num próximo post).



Em paralelo, quem assiste à cena pode até deixar cair o raciocínio (ou o esforço de tentar entrar no filme como se este fosse um estereograma) quando o bonito rabo passa a ser um estrondo visual no progresso da intriga. É suficientemente difícil manter a atenção durante um exercício que chega a ser tão chato e pretensioso como “The Limits of Control”, mas a inserção estratégica de Paz de la Huerta dificulta ainda mais a tarefa do homem com a missão, tal como a de quem vê.



Envolvido num labirinto de poder e batalha pela soberania de autor sobre uma obra, Paul Javal (interpretado por Michel Piccoli) encontra-se sujeito a uma tarefa que nem o próprio Hércules superaria: ter de conjugar a pressão de ser um argumentista criativamente esmagado pelos poderes cimeiros do cinema com a árdua tarefa de ter lidar com uma esposa de alta manutenção, caprichosa e volátil ao ponto de progredir socialmente completamente alheia ao sofrimento do marido, que, inversamente, mergulha numa situação de impotência. Ao contrário do que canta o rapper Jay-Z em “99 Problems”, Paul Javal “got 99 problems and the bitch is one”. E poucas protagonistas no cinema de Nova Vaga chegarão aos calcanhares de Camille Javal como perfeita bitch, quase próxima de uma das sereias que canta na “Odisseia” de Homero (a obra adaptada em “Le Mépris”). Surgido mais do que uma vez no filme, o incomparável rabo “vintage” de Bardot marca, a partir de certa altura e através da sua presença erótica, o compasso de uma queda em espiral que leva o argumentista (note-se como persegue verticalmente Camile quando se encontram em Capri) até ao ponto de perder a sua mulher para o produtor americano.



O caso de Scarlett Johansson, em “Lost in Translation” será provavelmente o mais célebre e evidente (foi transformado em ícone entretanto). Antes mesmo de evoluir na improvável relação romântica entre Charlotte e Bob, Sofia Coppola decidiu mostrar o monumental rabo da protagonista feminina (exposto com transparência mais do que suficiente) logo no plano inicial. A partir daí, Bob Harris, figura aprisionada num estranho esquema publicitário (entregue ao uísqui Suntory), evade-se da vida de emigrante-objecto para mergulhar num affair que pode bem ter gerado algumas questões acerca do casamento (tremido) e rotina familiar vivida em casa (do outro lado do mundo). Volta a ser um rabo a destabilizar os dias de alguém com notórias dificuldades em adaptar-se a um meio hostil (num país onde a disciplina é um traço cultural). De todas as dificuldades de comunicação vividas por um norte-americano em Tóquio, a que separa Bob Harris daquele rabo será certamente a mais difícil de ultrapassar. Ele, que até fala com o velhinho por gestos, acaba por aceitar que a comunicação com Charlotte terminava ali, naquele segredo.

sábado, 22 de agosto de 2009

Rádio Piratinha



Rádio Piratinha já está no ar.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Mapa minimalista da minha terra

Ideia #2 para um sketch d’ “Os Contemporâneos”

Fazer rábula agressiva de um festival de verão em que os pagantes de bilhete não têm acesso a música de qualquer tipo, mas podem sempre fazer fila para ser entrevistados pela Sic Radical.

Ideia #1 para um sketch d’ “Os Contemporâneos”

Colocar o Bruno Nogueira a fazer aquelas entrevistas em cada um dos lugares em que o Malato diz já ter sido feliz na tentativa de confirmar se isso é mesmo verdade.

Redescobrir o Think Tank dos Blur



Foi preciso comprar o “Think Tank” em CD para perceber que não existe disco como o físico. Fiquei a ganhar em quase tudo (até porque não foi nada caro). Eu amava o álbum, tal como o escutava numa pasta de ficheiros, mas nunca tinha dado conta de que lhe faltava uma faixa (a “On the Way to The Club”, à qual ainda tenho de me afeiçoar). Ou seja, esperava com a edição japonesa ter acesso à tradicional faixa bónus (“Outsider”) e fui presenteado com duas faixas bónus. E gosto de olhar para ele, tocar-lhe e ver a frase “I ain’t got nothing to be scared of” escrita de um lado ao outro do livrete. Sou finalmente aquele mergulhador que coloca as mãos à volta da anca de quem ama.

sábado, 8 de agosto de 2009

O amor é uma tábua de skate



Carta Aberta ao MEO

(os que partilhem desta opinião ficam convidados a enviar um protesto pela mesma causa)

Caros Senhores,



Sou assinante do MEO desde o início deste ano e devo revelar que estou muito satisfeito com todos os aspectos do serviço excepto um: é desigual a variedade de filmes de má qualidade que se oferecem aos diferentes públicos. Passo a explicar: há algumas semanas transmitiam em sinal aberto canais indianos e chineses que contavam com filmes que muito me interessariam ver legendados em português ou inglês. Tive a oportunidade de ver a adaptação indiana (Bollywood) do conto do Tarzan e é frustrante não entender os diálogos que alimentam aquela intriga. Esse impedimento leva-nos a uma questão simples para a qual procuro resposta: devo pertencer a uma minoria imigrante a residir em Portugal para assistir ao cinema que prefiro ver na televisão? Como cliente, não mereço também o direito a ver o cinema mau que é frequente na programação dos canais indianos e chineses?



Ocasionalmente e perante alguma persistência, acabo por expor essa lacuna na minha rotina de telespectador em conversas telefónicas com operadores como a TV Cabo / Zon, na esperança de que possam entender o meu desejo. A opção de um ou mais canais de mau cinema seria sempre crucial na decisão de aderir a um pacote de canais ou a um determinado operador a longo prazo. Neste aspecto, o Sci-Fi Channel e o MGM são claramente insuficientes.



Recomendo, por exemplo, a integração do canal 18 (espanhol, creio, e reconhecível pelo logótipo dos dois losangos vermelhos), que transmitia uma vasta variedade de filmes obscuros e de fraca qualidade durante o dia e cinema de 1º escalão durante a madrugada, sendo que o primeiro conteúdo é certamente prioritário neste meu apelo, até porque a transmissão do segundo em canal aberto não agradaria certamente aos canais pornográficos de assinatura.



Estou certo de que existirão outros canais dentro do género acessíveis a preços generosos. Revelo-me desde já disposto a pagar uma mensalidade extra para aderir aos canais que procuro.



Sem mais, despeço-me atentamente.

sábado, 1 de agosto de 2009

Such a heavenly way to lie

Ministra da Saúde:

- Depois do que lhe aconteceu, pode pedir-nos qualquer coisa.

Paciente:

- Certo. Quero os Smiths reunidos a tocar no meu quarto de hospital.

Ministra:

- Ah! Qualquer coisa menos isso…

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Errata / É abelha Maya

Como bem apontaram os atentos comentadores do anterior post, afinal parece que a Maya surgirá sim na FHM e não na Playboy, que virá melhor servida. Ou seja, o meu anterior post passa a ser sobre um cenário fantasioso e uma gaffe gigante.

Bem... O mundo está salvo. A Maya não conseguiu aquilo que queria e a FHM desafiou a revista que lhe estragou o negócio com uma arma de recurso mesmo à mão. Até o Porto costuma fazer melhor que isso quando rapina "quase certos" na luz.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Panda analisa antecipadamente a capa de Agosto

A notícia da Maya na capa de Agosto da Playboy leva-me a diversas conclusões e suspeitas.

Afinal, a capacidade negocial da revista pode até não ser o bulldozer que se julgava, quando o quinto número resvala já para aquela que era a mais oferecida celebridade desde que a bolsa de apostas começou a rolar.

Para já, é uma vitória do Portugal mais “penetra” (todas as semanas exposto nas revistas da especialidade) e de uma gestora de fama cujo principal talento é mesmo ser uma brilhante gestora de fama. Anunciou o desdém pela “pouca ousadia” e “critério tenrinho” do primeiro número e acabou por ver a sua vontade feita. Ou seja, a artilharia negocial da Maya supera a da Playboy portuguesa porque foi ela que escolheu a revista e não o inverso. Depois da capa, a taróloga tem as portas abertas para uma carreira brilhante como Directora Desportiva ou Mandatária de uma candidatura com necessidade de estrilho.

Na sombra, os pesos pesados (namoradas e amantes de Portugal) podem estar a aguardar até que a revista reúna o plafond necessário para que os números em cima da mesa resolvam o dilema do pudor.

O que nos leva a pensar que, se estes não fossem tempos de crise, podíamos já ter tido direito a uma Moranguinha com Açúcar, ex-namorada do Cristiano Ronaldo ou apresentadora do Fama Show que não a Liliana Campos.

Afinal, existe um nicho de mercado para o Portugal que fantasia com cotas e tias sábias pelo convívio com os anos.

Falemos de números, por fim. Se a referência a partir de agora é a Maya, então preparem-se para abrir os cordões à bolsa quando for hora de negociar a produção de gente que sabe manter o par de ases bem guardado.

Paula Coelho, há sempre uma esperança.

domingo, 19 de julho de 2009

Sobre a felicidade e como alimenta o corpo …

… devo dizer que o aleatório dá-me tesão.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Perguntei aos 1:02 deste vídeo



Onde moras?

domingo, 5 de julho de 2009

O melhor será o Phil Collins não dar cartas a partir das 2 garrafas vazias sobre a mesa.



É perfeitamente possível ser atraiçoado por esta música num qualquer karaoke chinês.

domingo, 28 de junho de 2009

Breve apreciação do filme “Henry & June”

Vi finalmente aquele que é suposto ser um retrato convincente do escritor Henry Miller a partir da perspectiva da devassa Anaïs Nin. Diria que é uma tentativa ambiciosa e uma execução falhada. A nossa Maria de Medeiros, no papel de Anaïs Nin, vive fascinada pelas experiências, muitas delas proporcionadas por Henry Miller, e rebola durante dois terços do filme. Atraiçoado pela falsa certeza de que figuras interessantes formam inevitavelmente uma história igualmente interessante, o filme passa ao lado da profundidade essencial, com um sem número de cenas confusas e troca de parceiros só porque sim. Quando a duração marca os 75 minutos, a sensibilidade está desgastada ao ponto de já não querer saber quem come quem ou quem sofre com isso. Em 1990, as suas sequências mais quentes (Maria de Medeiro fica bem de rendas) valeram-lhe uns sarilhos com a censura britânica. Hoje tudo isso parece obsoleto.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Reacções a quente ao filme “Orfeu Negro”

O amor era muito mais bonito antes das novas tecnologias.

No filme, quem não acerta no amor, dançou.

A Mira é fogosa e representativa de algum histerismo que associo a brasileiras de alta-manutenção.

A fantasia do protagonista Orfeu é pouco menos que ridícula.

Mais do que uma vez, apetece calar os putos com um bom par de estalos.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Aquele instante de cortar à faca

Quem deixar passar a "Heartbeats" de Knife como música-empurrão para se lançar nessa noite, bem pode acabar a bebida e voltar sozinho para casa. Já não há nada a fazer.

Psicadelismo em canal aberto



Depois de rever o Elias e o Horácio, eu não me admiro nada de que eu e grande parte dos amigos da minha idade tenhamos parte da cabeça danificada / queimada. Diria que a geração nascida nos anos 70 foi a última a ter contacto directo e familiar com tão evidente conteúdo psicadélico. Esse contacto só viria a ser restabelecido com o início da Baby TV.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Panda recupera obscuridades arcade - Peek-a-boo! (ou o Panda não faz quase mais nada ultimamente)



O "Peek-a-boo!" é um clone exagerado do "Arkanoid" com a novidade de democratizar um pouco as coisas no reino dos jogos de "ganha e despe".

O modelo é parecido com o Tom Selleck, mas chamam-lhe Daniel.

Quem conhece a fórmula, sabe bem onde isto acaba.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Free Pocket Gal!



Foram necessários mais de 20 anos para descobrir então o que dizia a boneca do Pocket Gal. Diz que esta noite está livre.

(como se percebe, a versão World é um pouco mais púdica)

domingo, 14 de junho de 2009

Fantasia para “Ambulance” dos Blur

Fazem-nas apertadas para que não nos possamos afastar. O soro da tua voz só me pode fazer bem durante uma viagem que aconselha repouso. E quando as portas ficam fechadas e o computador de bordo consente a ignição, ninguém vai a parte alguma durante a próxima hora e meia. Desmarcados da merda que passa na televisão, é inevitável encaixarmos com outra eficácia. Falamos então em rima rica. À vez, o mais natural dos rituais leva a que cada um cante o que sente ou pronuncie a melodia da ocasião.

O eixo Norte-Sul (e a Circunvalação) conhece destas coisas: gente que jurou afecto para a vida com aquelas coisas que só se dizem sobre rodas. Assim retardamos a chegada ao hospital.

Não tenho nada a recear, porque te adoro.

sábado, 13 de junho de 2009

Marcha do Panda Minimalista

Lá vai o Panda,
Gingão e minimalista,
Fazendo deste blog,
Uma vaidosa revista.

Panda faz pandam,
Com posts de bizarria,
Papa Menino d’ ouro,
E alguma pornografia.

Um manjerico vou deixar,
Ao meu panda mais querido,
E também quem sabe,
Um comentário bem atrevido.

Lá vai o Panda,
Minimalista e gingão,
Bem sei que a Sasha Grey,
É quem mais aquece o seu coração.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Let's Talk About Sasha II



É bem provável que tenha chegado tarde ao debate, mas há qualquer coisa de inquietante neste video. Um vídeo de You Tube utilizado como propaganda moral do pior (aliando o puritanismo pindérico da Tyra e uma série de pop-ups perfeitamente manipuladores). Eu nem sabia que existia tal coisa no infinito web.

É engraçado como a correcção moral imposta no vídeo acaba por ser muito mais condenável do que tudo aquilo que já sabemos ser próprio da pornografia há mais de 30 anos (com menos ou mais extremos, sujeito a esta ou àquela variante). Alheia aos tempos, a América das donas de casa (motivada por afro-americanas de sucesso) continua a perseguir o mais eficaz entretenimento dos maridos, que também merecem a sua fatia de fantasia. É uma conspiração muito engraçada, de parte a parte.

A menos que a alma seja completamente imaculada, é impossível não torcer pela Sasha Grey neste épico de porte Larry Flint contra o mundo (é aconselhável ver as 4 partes da entrevista, apesar da 3º e 4º serem um pouco saloias). No fundo, a internet devia ter vergonha de encostar à parede a indústria que foi praticamente a incubadora de tudo o que expandiu o meio.

O Marylin Manson é um menino em comparação com esta Sasha.

Let's Talk about Sasha




Com 21 anos apenas, Sasha Grey é capaz de ser a mais perigosa pensadora em acção na cultura popular dos Estados Unidos de hoje.

Recordar Dino Meira



Não sei bem porquê, mas acho que o Ron Howard devia pegar neste argumento com o Jon Voigt no papel de homem de branco e o Tom Hanks no papel de investigador de longo alcance. O título pode ser “Homens de branco & homens de negro”.



Eu diria que é o primeiro video de paraperformance de toda a história da música.

Motim na Rua do Crucifixo



Lisboa fica muito mais vaga nos feriados que levam as pessoas para a província ou para o sul do país. Ontem, dia 10 de Junho, a cidade estava perfeita para passear de carro e aproveitar um bocado. Comprei o “Riot On An Empty Street” dos Kings of Convenience para oferecer a alguém. É um óptimo disco mariquinhas e condiz com um dia agradável.

Arranquei as etiquetas de preço quando estava sentado no carro estacionado na Rua do Crucifixo, junto às escadinhas. Do alto do Chiado vinham barulhos de uma grande manifestação de alguém claramente irado, mas a Rua do Crucifixo não podia estar mais serena, como paragem para alguns turistas e gente que se encontra ali perto da boca do metro. Riot On An Empty Street. Nessa altura, fez todo o sentido.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O flyer mais medonho



Este flyer anunciava espectáculos para putos: contos interactivos e palhaçada.

Eu até entendo as limitações dos designers que fazem estas merdas, mas será possível disparar tão ao lado? O palhaço é completamente sinistro. Qual é a Escola que contrata os serviços de uma profissional que parece representar um cartel de droga sul-americano ou um qualquer partido extremista?

Apesar das palavras escritas, o flyer promove muito as aparências. Neste caso, a de alguém que parece a versão feminina do Suge Knight (provavelmente pronta para rachar os dentes de alguém contra a calçada).

A imagem fala por si. Não sei explicar bem porquê, mas diverte-me e entristece-me conforme o tempo. Creio que voltarei a ela para perceber qual é a minha disposição em dias de maior indecisão.

sábado, 30 de maio de 2009

Memórias arcade: as friorentas bonecas quentes do Pocket Gal



Descobrimos este jogo num café, durante umas férias perto do Gerês, quando tínhamos 9 ou 10 anos (eu e os meus grandes amigos P. e C.). É um jogo de snooker em que as bonecas se despem conforme a perícia do jogador. Um resultado medíocre vale bikini. Um high score vale nudez e uma coroa de champion (a recompensa mais importante, claro). O nome é “Pocket Gal” e ainda se aguenta como simulador de snooker.

Trouxe-o até aqui porque está associado a uma das minhas primeiras tentativas de interpretar a língua japonesa. Quando ficavam nuas (conforme ilustrado), as bonecas diziam qualquer coisa em japonês, que bem podia ser:”És o maior e quero-te.” ou “Vamos aproveitar a mesa de snooker. Eh eh.” Não sei bem quem se lembrou disto, mas nós, com aquela idade, achámos que diziam:”Tenho frio.” Voltámos para a carrinha dos meus pais e durante uma hora só repetíamos “Tenho frio.” numa conspiração de putos parvos que tinham acabado de despir um monte de pixéis.

O fim dos dias da bolinha




Com luta-livre americana em canal aberto de manhã e o “American Pie” (ou pior) a passar sem problema nas tardes de sábado ou domingo, acho que faz cada vez menos sentido ter a bolinha vermelha nos filmes transmitidos depois das 23. A “susceptibilidade” é um conceito ultrapassado na era do You Tube e da livre pornografia. Deixou de haver aquela excitação de colheita 1987 que acelerava o coração dos putos que espreitavam 5 minutos de um filme do Brian de Palma ou do Abel Ferrara (ou um “Império dos Sentidos”, no caso dos mais aventureiros).

Posto isto, parece-me estúpido que a versão colorida do “Há Festa Na Aldeia” / “Jour de Fête” do Tati seja precedida do aviso para “sensibilidades” e tenha a bolinha vermelha no canto superior direito. É intrigante pensar em que critérios levaram a este lapso. O filme, que conta as desventuras de um carteiro que tenta fazer as coisas à moda moderna americana, é perfeitamente familiar, carregado de slapstick ingénuo e passaria completamente insuspeito numa manhã de Natal. A bolinha é quase incómoda. Porquê? Um feirante engana os seus clientes e o carteiro bate com a cara numas quantas madeiras. Nem sequer há nudez…

Provavelmente, a bolinha deve-se ao facto do filme ser anunciado como a versão experimental e colorida do original a preto-e-branco. Ou seja, o experimental é, por defeito, classificado para maiores de 18 anos e capaz de ferir sensibilidades (com aquelas cores berrantes, não vou dormir esta noite…). A programação da RTP2 merece o meu maior respeito, mas esta bolinha só pode ser equívoco ou resultado de liberdades por parte de quem vive ainda em 1987. Está convidado para vir à casa do Panda ver os melhores thrillers de De Palma e Ferrara.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Kimya adora-me




Só havia uma t-shirt de Kimya Dawson à venda e eu perguntei ao marido dela pelo modelo de que mais gostava:”I Spooned Kimya Dawson”. O significado do verbo “to spoon” pode ser consultado no Urban Dictionary e essa informação é essencial para o post.

O Angelo disse-me que já não tinham mais dessas e deixou escapar qualquer coisa como:

Well… It’s been a few years, you know?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Fantasia para “In the New Year” dos Walkmen

Engravatámo-nos nessa noite para estar à altura da ocasião. Desta vez, desde que sejamos um só, eu nem sequer me importo de não entender os rodapés noticiosos e de não receber felicitações ocidentais no meu telemóvel de pedra. Ensurdecidos pelo ruído das máquinas de pachinko, estes dias aguçaram a nossa telepatia. E eu gosto de ti como o Arnaldo gostava da Rita Lee. É por isso que guardo no bolso este anel que comprei na Toys r’ Us. O DJ ditará a hora certa. Para já, sei que é verdade. Vai ser um ano do caralho.

Clássico Local III

Muito raramente, tenho a sorte de contar com a companhia do M., localmente conhecido por uma juventude de algum excesso e violência interrompida a partir do momento em que encontrou Jesus. Entre as conversas úteis à ocupação do dia, que somos obrigados a passar juntos, o M. referia entusiasmado que haveria de escrever um livro sobre teologia quando tivesse oportunidade. Gesticulava e dedicava mais umas quantas considerações ao lugar da fé na actualidade. Minutos depois, calou-se e voltou à leitura do primeiro “Harry Potter”.

domingo, 17 de maio de 2009

Fantasia para “How to Disappear Completely” de Radiohead

Depois de te ter amolgado a prata dos brincos, com uma dentada que desonra quem tos ofereceu, só me lembro de ter oferecido umas pastilhas Guronsan a uns rufias e de estar perto de nos incriminar numa operação Stop em Monsanto. Disseste-me que quase fui espancado por quem não tinha a mínima pachorra para a minha generosidade Guronsan. Seria um tremendo cliché dar por mim espancado na noite do Bairro Alto e acordar com o meu peso, altura e cor do cabelo impresso no Correio da Manhã.

As câmaras de vigilância do Metro sabem de como a noite desabou em mim. Na tentativa de ser o mais low-profile possível, alguém ressacado denuncia sempre o high-profile da noite anterior. Deixa-me lamber o cimento sujo desta estação com bílis e restos de um jantar irreconhecível. Não estou aqui. Isto não está a acontecer.

sábado, 16 de maio de 2009

Huevos de oro



A capa convenceu-nos e assim arriscámos um aluguer irreflectido no videoclube do MEO. O elenco até era apelativo: Javier Bardem, Maribel Verdú, Maria de Medeiros e um iniciado Benicio del Toro (anunciado como Benisio del Toro). Rever toda esta gente em 1993 é um pouco mais doloroso do que parece à partida.

As referências que tenho do cinema espanhol extra-Almodóvar também não são as melhores. Nos antípodas de um “Vicky Cristina Barcelona” igualmente deslumbrado com o alcance dramático do “ménage à trois”, “Huevos de Oro” (“Tomates de Ouro” em português) mostra a “ascensão e queda” de um construtor civil com uma obsessão por Salvador Dali e pouca paciência para escutar mulheres faladoras. Sim, e depois? No tempo recorde de 88 minutos, o filme monta e desmonta quatro relações do protagonista (e respectivas encornadelas-satélite), passa por três continentes, mata e atrofia personagens e alterna entre cenas de sexo e circunstâncias sociais como quem ensanduicha queijo e fiambre sem pensar na qualidade do pão. Tudo às três pancadas. Fraca forma de dançar o flamenco da narrativa.

Pior. O filme garante a Javier Bardem a oportunidade de conhecer de perto quatro latinas 5 estrelas (Maria de Medeiros vê o azul do céu num terraço luxuoso) e, no fim, tem a lata de reclamar a piedade do público, que deveria chorar com o construtor impotente, quando este mergulha em decadência, ao dar por si sem dinheiro e sem a fidelidade de uma dançarina explosiva que foi para a cama com o jardineiro. Os espanhóis abusam da boa vontade. Eles são experimentais.

domingo, 10 de maio de 2009

Fantasia para "Your Wedding" de (smog)

O desastre amanha-se com duas Caipirinhas de entrada. Vinho à refeição. Um digestivo à escolha do amigo. Mais tarde, alterna-se entre gin tónicos e black russians com a cegueira de uma besta que partiu para a porrada quando viu a sua cara-metade ser desonrada pelas palavras de uma besta maior. Tromba completamente deformada. Corpo preso a uma cadeira tosca. Ninguém a quem enviar uma sms de socorro porque todos estão no casamento.

Sem me ter apercebido disso, alguém acabou de me salvar a vida ao roubar a chave do carro que trazia no bolso.

Algumas pessoas parecem-se mais com dinossauros feios a cada cigarro que fumam. Putos tão ou mais obesos que eu passam a tarde com a cara mergulhada na Lampreia de Ovos. As cascas de marisco amontoadas provocam-me náuseas.

Estou a dois copos de transformar esta merda num velório.

Vou estar bêbado, completamente bêbado no teu casamento.

sábado, 9 de maio de 2009

Uma canção bilingue de Kimya Dawson.



Acho muito bonito.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Inédito em Oeiras

Enquanto jogava PES com um estranho num lugar muito frequentado, um segurança advertiu-me para o facto de ter um bocado do rabo À mostra, muito provavelmente por queixa de uma rapariga púdica que me tinha avisado do mesmo minutos antes.

OK. Desamparem-me a loja e deixem o meu Barcelona jogar À bola. Ajeitei o resgardo e fiquei a pensar:"Fosse uma gaja completamente boa e o segurança ainda me pedia para baixar a alça."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Austrália Experimental



A Jessyka curte Ryoji Ikeda e cenas assim. Dança Mariah Carey e Celine Dion só mesmo para enganar. Ela é experimental.

domingo, 26 de abril de 2009

Os impeditivos da sobriedade



Vi ontem esta mamadice. É habitual falar-se dos filmes que podiam surtir melhor resultado e oferecer outras leituras quando vistos sob o efeito de drogas, mas, no caso do “The Man Who Fell To Earth”, esse consumo parece-me quase obrigatório. Retive alguns aspectos, mesmo assim:

- Podia ser a história do Cristiano Ronaldo caído do espaço.
- Mulheres “à vontade” é um dos aspectos singulares do cinema de Nicolas Roeg.
- O Bowie surge completamente nu durante um segundo numa das mais bizarras cenas de sexo não filmadas por Passolini. Pistolas e o caralho…
- Os Daft Punk aparecem num cameo antes mesmo de existirem (no trailer são vistos de relance aos 2 minutos ou isso).
- O filme é tão vanguardista que prevê, com 23 anos de avanço, um preto como o homem mais poderoso do mundo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Clássico Universitário IV

Certa vez, bem perto do final de um semestre, fui acidentalmente escolhido para entregar todos os trabalhos de Literatura Portuguesa pertencentes a colegas meus que não podiam estar menos interessados em ir a uma aula meramente acessória. Formou-se uma pilha à minha frente e a essa acrescentei também o meu.

Desafiei o R.:

- Se encontrares neste monte um trabalho com pior aspecto que o meu, não entrego o meu.

Ele acedeu. Vasculhou as pastas, pegou numa e disse num tom de troça:

- Foda-se – cala-te! Olha para este! É o pior!

Concluí:

- Ya, esse é o meu.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Knock knock. Quem é? É o fantasma do Photoshop.




Existem capas de discos que não facilitam a vida a ninguém a não ser a quem cuidou do seu design.

Enquanto guiávamos até ao Forum Montijo, prometi à M. que faria os possíveis para descobrir numa loja limitada um disco porreiro para oferecer ao N., que fazia anos. Ela sugeriu DJ Shadow e Tindersticks. Eu topei o “Red Shoes” da Kate Bush em versão japonesa. Olhámos juntos para o ovo na capa do disco de Wilco. Mas nada disso era a “tal” prenda. Apontei para o “Knock Knock” de Smog e disse-lhe:”Só pode ser este.” Sem saber quem tocava no disco, a M. pegou nele e disse:”O quê?! Isto?!” Ter espreitado a contra-capa também não ajudou (é sinistra).

A vida não é fácil para quem procura impingir os discos de Smog (e de Bill Callahan) a quem os conhece apenas pelas capas.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

(uma anedota)

Uma nave aterra no Alentejo e o primeiro sinal que intercepta é o da RTP 1 às 19:45. O “Preço Certo” é visto no ecrã gigante da nave durante 15 segundos. Um extra-terrestre dá uma cotovelada ao outro e diz na sua língua:

- Tá safo! Este planeta é nosso.

sábado, 4 de abril de 2009

A música brasileira é diversa

As diferenças entre a expressão portuguesa de Portugal e do Brasil tornam muito sorrateira a escuta da “Blues prós Bicos” de Ana Mazzotti.

Papa Menino D’ Ouro

Criei ontem um prato inédito, que foi baptizado pelo M. pelas suas semelhanças com a papa de certa cena da comédia-aventura aparvalhada “Menino de Ouro”, protagonizada pelo Eddie Murphy. A cobertura de queijo derretido, quando pressionada com a espátula, trazia à tona um molho avermelhado, daí o nome. “I… I… I….I want the papa… please…”

Ingredientes:

1 pacote de queijo ralado das ilhas do Lidl
Pão ralado do Lidl
Meio pacote de combinado de vegetais mexicanos do Lidl
Meio pacote de combinado de vegetais italianos do Lidl
2 pacotes de massa Gnocchi do Lidl
6 dentes de alho descascados
Azeite
1 frasco de polpa de tomate com alho Heinz

Preparação

Fazer o refogado com os alhos cortados sobre azeite e polpa de tomate, num grande tacho anti-aderente.

Adicionar o Gnocchi e os vegetais salteados.

Adicionar copo e meio de água (mediante a vontade de ter uma papa mais malandrinha).

Deixar ferver durante 30 minutos, até que a mistura vá agarrando um pouco ao fundo. Mexer de vez em quando.

Deitar tudo num recipiente para ir ao forno e cobrir o topo com pão ralado q.b. e queijo ralado suficiente para cobrir toda a superfície.

Levar ao forno até que a cobertura de queijo ganhe a espessura “Menino d’ Ouro”.

Acompanhar com pão saloio e um bom vinho tinto.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Teenage Caveman

Enfrentar o micro-ondas Miele da minha mãe é daquelas coisas que me faz sentir um autêntico macaco.

5 da manhã, hey, berlindes!

É pá! Gosto do detalhe dos piercings nos sonhos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Curta elegia da jovem espanhola e o paralelo musical disso

É daquelas coisas que me ocupa o pensamento desde há vários anos e que pode ser explicada num empate técnico entre Portugal e Espanha, mesmo sem me alongar muito.

O meu coração ibérico deixa-me ser imparcial no que respeita a avaliar os valores da música experimental de ambos os países. Aí não há volta mesmo a dar-lhe: Portugal está muito à frente. Bastaria comparar dois festivais (ocorridos nos respectivos países) para perceber que o melhor que os espanhóis têm de experimental são os Fangoria e uma ou outra matulona do reggaeton. É um deserto.

No que respeita a miúdas experimentais, tanto quanto me parece, Espanha ganha com relativa vantagem. Lembro-me de estar no T0 de duas jovens (uma espanhola e uma italiana) e ver-me inundado em tanta arte feita por elas (do melhor a alguns resultados fracassados também). Quando acordava, tinha um gato a dois palmos do nariz pronto para me arranhar. O tópico nacional da altura era a campanha de Espanha no Europeu, mas as jovens gostavam mais de falar do trabalho do Matthew Barney. Eram mais experimentais.

segunda-feira, 30 de março de 2009

p-p-p-post minimalista, p-p-p-post minimalista

A Lady ficou GaGa quando alguém a convenceu de que teria direito a uma boa carreira.

domingo, 29 de março de 2009

O serão de sábado conclui

A Ágata seria uma surpreende opção para próxima capa da “Playboy” portuguesa. Especular sobre as próximas capas é um dos tópicos mais interessantes para uma conversa colectiva.

Com tantas contas a fazer no apuramento para o mundial, o melhor patrocínio para a Selecção seria a Cassio. E. dixit.

sábado, 21 de março de 2009

A revolução, a frio

A manhã desperta com algumas considerações soltas sobre o “Che: O Argentino”, ainda que condicionadas por serem apenas metade de uma avaliação final.

a) É bem possível não exista alguém mais eficaz e credível que o Benicio del Toro na interpretação do Che. Fosse eu director de casting, e sugeria o Marcelo D2 de Planet Hemp, consciente de que os charutos teriam de ser substituídos por outros mais finos.

b) Gosto de como a aura heróica dos revolucionários é retratada, sem os grosseirismos de Hollywood, que metem bandeiras por toda a parte e slow-motions sempre que um inimigo estratégico é abatido.

c) Aquele burburinho de romance que surge no fim não amolece tanto o filme como aconteceria noutros casos.

d) A troca de galhardetes na sede das Nações Unidas é das mais intensas cenas diplomáticas que vi num filme.

e) O melhor só pode estar ainda por vir, quando se sabe que o nosso Quim de Hollywood entra na segunda metade do filme.

sexta-feira, 20 de março de 2009

La gagaren de la vecina

Percorri hoje, pela primeira vez, a rampa que dá acesso ao parking do El Corte Inglés e pensei:”Se o Quim Barreiros se tivesse inspirado neste sítio, a “Garagem da Vizinha” seria uma música ainda mais claustrofóbica”.

Dupla certeza

Eu ainda só vi o cartaz do “Dupla Traição”, com o Clive Owen e a Julia Roberts, e já tenho duas certezas absolutas: mete pinocada e ela não mostra as mamas.

Hasta la Sequela, Siempre!

Fui ver o “Che: O Argentino” e, no final, fiquei com a sensação de que estava num peep-show com homens revolucionários. Tipo:”Vá, queres ver o resto? Mete mais uma chapa de seis euros”.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Fado do Escondidinho

Ao regressar a casa esta tarde, coloquei a chave à porta das traseiras e reparei numa mulher bem aparentada que descia as escadas ali por perto. Era tão bonita que persegui a sua sombra até se perder na calçada.

sábado, 14 de março de 2009

Panda Desmascara David Fincher (ou como retaliar duas horas e meia desperdiçadas)



Afinal, nem sequer o conceito do "Benjamin Button" valia pela originalidade. Repare-se em como o autor deste video dos Enigma (tão 93...) já tinha feito o Benjamin Button em 5 minutos. Muito menos doloroso e muito mais bonito (adoro o arroz a voltar para as mãos da velha). Se o Brad Pitt adormecesse entre marmelos tudo teria sido bem diferente. A Cate Blanchett a fazer ballet num monte de feno também não me parece mal.

O Panda Catalão em cada um de nós

Sobre a programação nocturna da televisão de Barcelona, o K. pronunciou as mais sábias palavras que escutei na vida sobre o diferencial entre nações:

Pá! Desilude-te com os filmes que eles passam à noite. Estes gajos aqui fodem menos que nós.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Viação é a nova erecção

Acho que só ontem vi a versão não-censurada do muito badalado “Crash” do Cronenberg. Se bem me lembro, quando o vi em VHS há 10 anos, o filme não fazia muito sentido. Isto porque o “Crash” sem sexo é um bocado como um resumo alargado de um jogo de futebol sem os golos. Com tudo no seu lugar, o filme deixa de ser um exercício sobre a angústia e passa a ser a visão aprofundada de uma teia de psicoses e fetiches.

A versão não-censurada tem outras recompensas: a Deborah Kara Unger desempenha muito provavelmente um dos personagens mais fodíveis de toda a história do cinema. É pena passar tanto tempo afastada de grandes autores. Era uma presença muito capaz de salvar muitos dos filmes chatos que tenho visto.

Pegar num carro um dia depois de ver o “Crash” tem também os seus efeitos. Uma pessoa acelera acima dos 130 km / h e sente-se um tarado sexual. Vê-se sinais de acidente na estrada e é inevitável pensar:”Se o Vaughan estivesse aqui, já estava a deitar a mão às calças.”

Com e sem cortes, são dois filmes completamente diferentes.

O precedente Alvim

Mesmo que não cultive particular ódio ou simpatia pelo Alvim, acho que é muito por culpa dele (e do seu sucesso e saturação) que a atitude de cromo / dork domina actualmente os jovens apresentadores em programas destinados a um público correspondentemente jovem. É quase um pré-requisito ter o cabelo a cobrir a testa e persistir nos comentários apimentados que se deixam escapar com uma distracção mais ou menos planeada. Isso nem sequer me incomoda, mas é um bocado chato pensar no Alvim como a mais recente Dolly televisiva.

A Long Line at the Gas Station (recuperação de um clássico odiável)

Qual é a diferença entre o fã de U2 e o de Depeche Mode?

O de Depeche Mode não cheira a gasolina.

Nuthin’ But a G Chat

O que têm em comum o Snoop Dogg, o Halloween e o 50 Cent em comum?

Todos usam G Mail.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Genética sádica

Não sei até que ponto a ciência sustenta esta suspeita, mas eu acredito que um bebé pode nascer com uma testa bem maior se for feito ao som da “Ordinary Love” da Sade.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Esgotamento de memória Ram

Foi necessário ir ver o "The Wrestler" para fazer finalmente as pazes com o cinema. Todo o homem que tem a coragem de virar as costas à Marisa Tomei merece o meu total respeito. É preciso ter a força de dois Hulk Hogans.

domingo, 8 de março de 2009

Perigo constante?...

Em pleno Dia da Mulher, vi o pior homem do mundo ao volante de um carro.

sábado, 7 de março de 2009

Acabaram-se todas as festas de amanhã...

Boa receita para a última depressão de Inverno: Nico e Nick Drake.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Tudo direitinho no seu lugar

O nome do disco de versões de pop brasileira de Radiohead vai-se chamar "Kid Abelha".

2<31: Odisseia nesse Inferno

Percebi ontem que pior do que ver um filme de ficção-científica mau e complicado é ver um filme de ficção científica mau e complicado quando não se consegue deixar de pensar em alguém.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Não negue à partida um shuffle que desconhece

Esqueça as videntes e cartomantes. O shuffle é o único oráculo necessário nesta vida.

Kick ass...



Parece que já sei onde foram roubar a voz do Eric Cartman.

No tempo em que um vídeo de hip-hop mostrava apenas duas mulheres



É hilariante cantar este clássico substituindo “Compton” pelo subúrbio mais saloio e ranhoso que se conheça. Eu escolhi a Venda do Pinheiro.

(Os convertidos podem sempre arriscar a “Me Wanna Rip Your Girl” como passo obrigatório na descoberta do DJ Quik)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Zé dos Dois

Eu não percebo basicamente nada de produção em televisão, mas abandonei hoje uma entrevista interessante no programa “Bairro Alto”, na RTP2, pelo simples facto de não conseguir levar a sério a maneira como está montado o “set” daquilo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Fosses um ás do tuning carente…

…e eu diria para te animar:”O meu panda e o teu Panda fazem pandam.”

Apelido com destino marcado

Via hoje uma notícia sobre o “caso da fruta”, quando concluí que o apelido da Carolina Salgado diz muito sobre a vocação da senhora.

Panda 3 – Gato 6

Depois de ver isto http://catwalk2c.blogspot.com/, pensei seriamente em arrumar as pantufas minimais do Panda. Chega a ser tão extraordinariamente genial que eu já equacionei readoptar a pátria portuguesa como aquela que mais adoro.

Pois

Quando ontem fui ao Supermercado Silvestre, encontrei uma tabuleta onde estava escrito:”Marmelada Ajuda – 0.99€”. Eu pensei:”Ya, sem dúvida.”

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Al-Receita para uma noite linda

Simples: Al Green até ao desligar das luzes, Al Bowlly depois de desligar as luzes.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Panda recupera obscuridades arcade - Tapper


Como resistir a um simulador de taberneiro? “Tapper” é um clássico dos jogos “tão estupidamente minimalistas que só podem ser bons”. Um barman com bigode serve canecas a clientes em vários balcões e recolhe depois os copos vazios. Existem clientes especialmente generosos que se lembram de deixar uma gorjeta, que, ao ser apanhada, activa um conjunto de bailarinas a dançar o “can-can” (nunca percebi bem porquê). Quando um copo se parte no chão, perde-se uma vida e o barman deita as mãos à cabeça como um desgraçado. O segundo nível (ilustrado na imagem) leva o barman para um espaço desportivo, onde atletas de várias modalidades aliviam a pressão com uns canecos. “Tapper” até nisso é pioneiro no uso do politicamente incorrecto. As versões variam entre as marcas Budweiser e Suntory. O Bill Murray não empresta a sua imagem ao jogo.

Mais nostalgia Magic the Gathering


A jogada repetia-se. A menos que o próprio Tó Zé conseguisse invocar aquela lenda monstruosa, o Totem Sorridente do Paulinho tratava de ir buscar o Espírito da Noite ao baralho do gajo. Ter o Espírito da Noite na mesa equivalia normalmente a jogo ganho. A carta é imbatível.

Eu sempre fui um rapaz de baralhos verdes, com elfos e isso. Arriscava às vezes o vermelho, mas nunca percebi muito bem como se dividia o dano de uma bola de fogo e não me lembro de ter invocado um Dragão de Shiva mais do que umas 4 ou 5 vezes.

Éramos todos rapazes mais despreocupados nessa altura.

Everybody Loves Panda

Se a minha vida fosse uma sitcom fodida, a música de abertura e encerramento seria do Ariel Pink.

Se a minha vida fosse uma sitcom, a música de abertura e encerramento seria do Daniel Johnston.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Samba aí um troco

Toda a gente sabe que o melhor Carnaval é o do Porto: 200 gunas e 400 mitras não podem estar enganados.

Whatever…

O meu telefone do MEO parece às vezes uma teenager antes de ir para um baile de finalistas. Pisca repetidamente a palavra “base” como quem pede a coisa.

O Panda prevê os derrotados dos Óscares (desculpa, Álvaro Costa)


No que toca a adivinhar os vencedores dos Óscares mais logo, a previsão feita pelo Roger Ebert facilita muito a vida a todos, inclusive os jornalistas. É fácil aparecer no telejornal com uns óculos de massa e repetir os palpites de alguém que tradicionalmente pouco falha nessas apostas. O Panda não facilita e em baixo prevê resultados de cálculo muito mais difícil: os derrotados em cada uma das principais categorias.

Melhor Filme

Eu ainda não vi o “Frost / Nixon”, que, na abordagem ao “crook”, só pode ser mais fraquinho que o “Secret Honor” do Robert Altman, mas parece-me que a Academia ainda vai a tempo de castigar o “Benjamin Button” pela falta de pudor que demonstra na repetição de todos os clichés do “Forrest Gump”, que, ainda assim, era um filme engraçado e um incentivo patriótico para gente anormal. Além disso, o “Benjamin Button” tem demasiadas cenas filmadas de dia, o que só dificulta a tarefa de quem quer tirar macacos do nariz discretamente no cinema. Tenho saudades do velho Fincher.

Palpite: esse filme mau promovido com um bigode a passear pelo Brasil.

Melhor Realizador

O arredado nesta categoria deve ser sempre aquele que acumula um passado mais vergonhoso. E, sim, o Gus Van Sant já filmou umas valentes cagadas, incluindo remakes de filmes infinitamente melhores – “Psycho” – e um remake racial – “Finding Forrester” - de um filme que ele próprio já tinha feito com maior dignidade – “O Bom Rebelde”. Acrescente-se a isso o peso fashion de um Gus Van Sant que persiste em escolher fatos patéticos para noites de gala (o Kodak Theatre não é um circo). Mas aqui o Ron Howard tem mesmo de ser o escolhido: dos 4 filmes e meio que lhe conheço (dormi durante metade do “Apollo 13”), o dos bombeiros consegue ser o melhor. As coisas vão mal quando uma carreira é salva por um filme que tem o William Baldwin num dos principais papéis.
Palpite: aquele gajo que aparece no teledisco dos Weezer.

Melhor Actor


Sem hesitar: Brad Pitt, pelo simples facto de ser nomeado pelo filme errado. Merecia sim o Óscar pelo excelente papel de parolo no “Burn After Reading”. É muito mais difícil passar de sex symbol a bimbo de ginásio, do que velhinho raquítico a rapazinho ansioso por um último bailado.
Palpite: primeira regra deste post é não referir os palpites pelos nomes.

Melhor Actriz
Anne Hathaway, por ter a pinta exacta de estudante de Comunicação Social que nunca me deu a mínima trela na Universidade.

Palpite: a miúda de quem o Ang Lee teve piedade, depois de a ver em tantos filmes terríveis.

Melhor Actor Secundário

Michael Shannon, talvez porque me parece o mais incapaz de competir com a cena em que o Joker do Heath Ledger faz desaparecer o lápis. O Robert Downey Jr. precisa do Óscar como moeda de troca em noites empoeiradas. Depois, eu nunca seria capaz de maldizer o Phillip Seymour Hoffman depois de o escutar a falar ao telefone.


Palpite: o gajo que, com sorte, desenrascará uns papéis secundários em comédias do Adam Sandler e thrillers com a Jennifer Lopez.

Melhor Actriz Secundária

Eu até entendo que o Woody Allen goste de se ver rodeado de mulheres bonitas que o ajudem a passar o tempo de espera entre takes, com conversas apimentadas e um charme que serena os mais neuróticos, mas será que o grande director de actores não percebeu ainda que a Penélope Cruz rende muito mais a publicitar cosméticos do que como latina-furacão? Pá… A mulher é limitadíssima. Diverti-me muito com o “Vicky Cristina Barcelona”, quando até estava a sofrer uma crise de gases das piores, mas tive mesmo de ir à casa de banho do avião depois de 3 minutos a ver a Penélope Cruz.

Palpite: aquele sotaque irritante que habitualmente arruína todos os filmes em que marca presença.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Com sotaque, o filme chamava-se "Apenas uma transa"

Tenho ideia de que esta manhã vi o pior início de filme desde que me lembro. O nome do filme era "Just a Little Harmless Sex" e, durante os 4 ou 5 minutos reservados aos créditos de abertura, conseguia encaixar a rambóia de três homens num strip-club, um desses a oferecer boleia a uma mulher na estrada (papel a cargo da filha de Clint Eastwood), a troca de olhares de engate mais vazia alguma vez vista num filme, a retribuição do favor por parte da mulher à moda Divine Brown, a chegada da polícia que os apanhou em flagrante, a esposa a receber o telefonema da polícia em casa.

Parei de ver o filme por ter a certeza de que a partir daí seria sempre a descer.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Royal Rumble no meu leitor de mp3

Agora que os dias convidam mais a ir e vir do trabalho a pé, fico com mais tempo para ouvir o meu leitor de mp3. No que respeita a escolha, desenvolvi um esquema que espero manter durante algum tempo. Consiste em preencher os 4 gigas disponíveis com quantas discografias ou fatias consideráveis de discografia forem possíveis. Exemplo, os Blonde Redhead ou os Spazz têm discografias praticáveis em termos dos 4 gigas. Muslimgauze e King Crimson nem por isso, mas podem entrar com uma selecção considerável entre meio giga e um giga.

O esquema passa por manter esses blocos no mp3 durante o tempo que leva até precisar de ser recarregado (entre semana e meia a duas semanas). Na altura em que tiver de o ligar para recarregar, uma das discografias é eliminada e entra depois uma ou mais conforme o espaço disponível. O critério é o gosto e o afecto. A longo prazo, vai ser engraçado perceber quem cumpre as mais longas estadias.

A Rihanna sempre procurou um hit


Com toda esta conversa em torno da sova que a Rihanna levou do namorado (e que a deixou mais parecida com a Tracy Chapman), é inevitável pensar na “Be Hit” de Smog.

Every girl I've ever loved
Has wanted to be hit
Every girl I've ever loved
Wanted to be hit
Every girl I've ever loved
Has wanted to be hit
Every girl I've ever loved
Left me cause I wouldn't do it
Got some advice for you friend
bruise 'em, you'll never lose 'em
bruise 'em, you'll never lose 'em
Alright now
Seems my sensitive touch
Can be given by any old shmuck
Alright now

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mudar de ramo

Agora que também já tenho uma conta de Twitter, é bem provável que o meu blog se mate de ciúme.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Aquele instante decisivo

Neste Dia dos Namorados, o Panda tem um conselho para todos os outros:

Na eventualidade de uma saída à noite para dançar e ouvir música, falhar o avanço na hora da “Temptation” de New Order representa a morte e a miséria na madrugada. Quem deixa escapar o empurrão dessa, bem pode acabar o copo que tem nas mãos e voltar de táxi para casa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Velinha (post potencialmente demagogo)

Penso muito em fé ultimamente e ocorrem-me dúvidas em relação ao grau de exigência permitido a alguém que pede um milagre. Do estilo, “Quero um Sporting campeão, mas com vitória sobre o Benfica.”, “Quero que o meu irmão emigrante regresse bem da Alemanha, mas era óptimo que trouxesse consigo uma boa selecção de enchidos.”, “Quero um namorado, mas tem mesmo de ser culturista.”

(sou obrigado a usar um termo inglês para rematar, porque não encontro equivalente)

Bem aventurados sejam os “under-achievers” de todo o mundo. Para eles, a felicidade está ali mesmo à beira. Não é um recorde olímpico.

Chapada-avant

Ao ver ontem um dos meus favoritos episódios de “Duarte & Ca.”, aquele em que o Rocha inventa uma porta automática para agredir inimigos, percebi que a série foi completamente vanguardista em relação à fórmula cómica/dramática de “gangsters com problemas e interesses banais”, só muito mais tarde explorada no “Pulp Fiction” e “Sopranos”.

Não fossem as cóleras do Átila e provavelmente nunca teria havido o diálogo do Royale With Cheese.

Sortidos de Sonho (um cheirinho da psique do Panda)

Esta noite sonhei…

… que, depois de recusar ir na montanha-russa da Disneyland em Paris, fiquei-me por um carrossel calminho onde podia martelar na cabeça de uns sapos. Não encontrei um estrangeiro suficientemente simpático para me tirar uma foto no telemóvel para depois enviar-te. Por sua vez, os meus amigos perderam o dia em todas as outras diversões e, no fim do dia, disseram-me que gostaram especialmente da “It’s a Small World After All”. Fiquei com pena de não ter lá estado.

… que, depois de comprar umas Oreo de chocolate puro, era o Forest Whitaker ou o Dustin Hoffman num filme em que a minha paciência e pacifismo eram testadas por um mitra chato que queria certamente qualquer coisa num apartamento sem fachada, como se pertencesse ao prédio do teledisco de “Protection” dos Massive Attack.

… com os melhores momentos de um filme (teledisco?) em que o Justin Timberlake e o Ice Cube eram rivais. O Timberlake surgia em muito mais cenas de pinocada. O Ice Cube exibia-se lá no ghetto.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

É o meu Manjerico, mas o meu nome não é Gaspar

Ainda não sei quantos dias vai demorar até que comece a falar com ele ao serão, mas adoptei esta semana um prato certo a que decidi chamar “Pratinho Sujo”.

Oh não! O Santo Senador!

As notícias anunciavam hoje que, depois do Arnold Schwarzenegger, seria o Val Kilmer o próximo actor a candidatar-se a senador nos Estados Unidos.

Diz-me, A., esta doença só afecta os péssimos actores?

A Aparição (filme patrocinado por Chaparrão Clássico)

Juro que, ao temperar um bacalhau antes de ir ao forno, o azeite formou, no contraste com a água, um C muito parecido com o logótipo do Continente. Pensei até em ligar para a TVI para virem cá a casa ver esta merda.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sr. Taxista, conduza-me à praça mais miserável de Lisboa.

A J. tinha um bonito sinal no rosto e uma camisa às riscas verdes e brancas. Alguns colegas diziam-me que era uma aluna muito organizada. Era pelo menos acessível na disposição de rapariga maravilhada com as liberdades de Lisboa, depois de década e meia numa pequena cidade.
Combinámos ir dar uma volta em termos muito vagos. “Vem lá ter.” Depois disso, lembro-me de uma longa distância entre o Campo Grande e uma grande moradia, e de quatro ou cinco lances de escadas. Quem se aventura a ir a uma casa comum de univesitários, bem pode ir contando com um ou outro estranho com que tem de fazer conversa enquanto a amiga acaba de tomar banho ou isso.
O estranho era o namorado da J. e falámos um bocado numa sala desarrumada, com toalhas e roupas a secar por toda a parte. O gajo parecia o Maniche.

A J. voltou do banho, fumou um cigarro e deve ter dito “Bora.” Pá, bora.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um post que refere a palavra outlet sem mencionar a palavra corrupção

Achei especial graça a um comediante que no Conan O’ Brien de hoje disse que Nova Iorque parecia actualmente um outlet gigantesco para os europeus.

Muito menos graça teve o momento musical com os Fall Out Boy.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Tekno No Love Song

Foi necessário escutar hoje a “Muppet Face” de Xiu Xiu, no regresso a casa, para relembrar que uma ida à discoteca pode ser uma experiência completamente violenta quando isso sucede imediatamente a um coração destroçado às mãos de alguém.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

(pregnant pause)

Enquanto tentávamos descobrir as diferenças entre as cheerleaders da Sagres e da Carlsberg, chegámos a um consenso: as entrevistas de casting de cheerleader devem terminar sempre com a mesma pergunta.

- Hmmmm… Então queres mesmo emprego, não é?

Um sentido elogio a todas as miúdas que tiveram a sorte de crescer com um irmão ou um primo fixe

Reparo que o meu pensamento muda um pouco conforme os supermercados a que me vou abastecer. O Silvestre, em detrimento do Lidl, revelou-me hoje umas tantas coisas.

Mas só ao chegar a casa percebo que o irmão ou um primo fixe pode ser um elemento equilibrador essencial na vida de uma miúda entre os 6 e os 14 anos de idade, quando ainda está a formar os gostos e a sua forma de estar. Inversamente, um rapaz nessa idade também expande as suas sensibilidades se aceitar uma ou outra vez brincar aos médicos ou casinhas (dois meios para um só fim). É uma chatice conviver entre adultos e um arroto mais solto ser ainda recebido com choque por parte da miúda que nunca soube distinguir uma Megadrive de uma Super Nintendo. Não precisa de ser brilhante no Pang ou derrotar-me no Mortal Kombat, mas saber manobrar o Super Mário ou acelerar a pedalada do Sonic é um turn-on de enorme relevo, ainda que normalmente subestimado.

Rapariga que nos primeiros anos de juventude correu ao lado dos primos no OndaParque usufrui hoje de benefícios que não estão ao alcance de quem ficou em casa a servir chá e café ao Meu Pequeno Pónei. O que seria da Natalie Portman ou da Chloe Sevigny se não tivessem um piscar de olhos que sugere “Onde está o teu velhinho Gameboy?” (no caso da primeira) e “Vou ser capaz de te superar na bebedeira.” (no caso da segunda)? A Miss Jerusalém provavelmente nunca tinha conquistado um papel na “Guerra das Estrelas” e no coração do Devendra. A miúda dos telediscos de Sonic Youth nunca teria sido a Daisy que se sabe. Estou certo de que não lhes faltou um amigo porreiro na altura certa da vida. O mundo ainda hoje beneficia disso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um post para dar uso aos meus genes amazónicos

Eis a três músicas que actualmente mais gostaria de cantar a usar apenas uma t-shirt da Kylie Minogue de tamanho S:

“Girls On the Square”, Dent May

“Ocean”, Sebadoh

“Bad Girl”, Devendra Banhart

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mamadice do dia



Não sei ao certo se chego atrasado ao fenómeno, mas esta Marli é a cena mais fora que vi no You Tube em muito tempo. Obrigado pela dica, N..

Macumba-rock, dizem-me. Ou a Bjork do vudu. A conferir a segunda hipótese no video de "Bertolina" (uma espécie de "Isobel" gore com violência doméstica) e no êxito "Um pouco de sensualidade".

Pink movie

Ontem, uma vez mais, a mão que escolhe o disco a levar no carro foi júri desse instante decisivo que antecede um serão delicado (chuva em Lisboa). E, uma vez mais, a mão optou pelo “Pinkerton” de Weezer.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Richard Harrison é a metadona com bigode e anda por aí um Rosebud dos filmes de ninja



Faltam-me as palavras para agradecer a Richard Harrison e ao histórico produtor Godfrey Ho todo o gozo que me dá ver os filmes que fabricaram num período de ouro para o "ninja exploitation". Em cima fica um exemplo desse legado, ainda que o meu preferido seja o "Ninja Dragão". Ninja com eyeliner ou preocupação anormal em ajustar o bigode não é um ninja qualquer.

A fixação por Richard Harrison começou com uma brincadeira de Verão: o "Ninja Dragão" estava à venda num café e eu e o meu primo decidimos comprá-lo como quem tenta recuperar a magia dos velhos tempos (o grosso qualitativo da minha juventude passou muito por filmes de ninja muito maus). Foi uma boa aposta, ainda que aquém de filmes lendários que eu gravava no Show T.V. e em canais alojados em satélites árabes. O meu Rosebud ainda hoje é um filme de ninjas em que um dos vilões tinha argolas no lugar das mãos. Além disso, havia uma cena com um tapete voador que lutava (a sério) e a mais patética combustão de dois ninjas que chocavam enquanto agarrados a cordas (ao subir um penhasco, creio). A verdade é que nos tempos de faculdade lancei um repto a especialistas vários em clubes de video americanos para que me ajudassem a encontrar essa jóia. Alguns manifestaram-se agradados pela vivacidade da descrição, mas confessavam que não faziam ideia de qual era. Eu adiantei que podia pagar bom dinheiro por esse filme (e estava mesmo disposto a isso). Nunca o encontrei. Morreu com a fita de uma cassete VHS. O meu primo diz que gravei um documentário sobre o "Last Action Hero" por cima. Isso só me deixa ainda mais triste.

No fundo, o Richard Harrison é a metadona com bigode grisalho.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Do “Higher Ground” até à “Dying Song” vai um grande trambulhão

Tenho escutado quantidades proibitivas de John Frusciante a solo e a frase repete-se infinitamente na cabeça:”Este gajo estava na merda.”

Era um pouco inútil desejar morte aos Pixies

Após ver o “LoudQuietLoud” e reparar no estado do baterista e da Kim Deal fiquei com a ideia de que, caso não tivesse havido a reunião assumidamente mercenária, o documentário poderia ser sobre os Pixies (em memória dos já finados) e não apenas sobre as digressões rentáveis.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Spice up your prime time

Ao rever hoje 4 minutos do filme das “Spice Girls” no Hollywood percebi que, agora que o mundo sabe do resultado dos implantes na Scary Spice, aquela merda parece ainda pior.

E o Óscar vai para… (um filme cujo título traduzido recuso mencionar)

Alegrou-me o facto dos responsáveis pela tradução de títulos de filmes em Portugal não se terem lembrado de traduzir “Milk” por “Leitinho”.

Uouuuuuuuu!





Rever ontem o Royal Rumble de 1992 (ganho pelo senhor retratado em cima) fez-me lembrar um pouco de como era ter 13 anos e consumir uma hora de televisão queimando apenas a quantidade mínima de neurónios.


Recuperei também algum do gosto por lutadores que não têm uma história ou adereço que os distinga. Parecem-se sempre especialmente toscos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Afrodisíacos, desinibidores ou tudo aquilo que podia transformar o “Crash” num filme de pornografia rodoviária

Ainda que o pódio esteja sempre sujeito a variação, estas parecem-me as três músicas mais sexualmente intensas neste preciso momento:

“Slip it in” - Black Flag

“Ted, just admit it…” – Jane’s Addiction

“You Turn Me On” – Beat Happening

sábado, 24 de janeiro de 2009

Braço Picotado

Quem acha que o Spud do Trainspotting é um gajo muito mamado da cabeça devia ter estado comigo ontem no Braço de Prata.

Lucidez precoce na fila para uma caixa da Fnac

Ontem vi-me retido durante vários minutos numa caixa da Fnac quando a empregada achou estranha a discrepância entre o preço normal e o mínimo do Criterion que eu ia comprar. Eu sempre achei que preços mínimos era mesmo assim…

Enquanto se esperava, fez-se conversa entre a caixista e uma menina de 4 ou 5 anos que ali estava:

- Amorzinho, tens uns olhos muito bonitos…
- Posso ser muito bonita, mas demoro muito tempo a escolher (um disco das Just Girls em duas horas, ao que apurei).

Vai-te habituando, miúda, digo eu.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Encalhado entre as escadinhas do Rivoli e a pouca vontade de dar conversa aos mitras do Porto

Com o Fantas deste ano à espreita, é inevitável sentir o Porto a segredar-me ao ouvido quando tenho tempo para perspectivar os meses seguintes. As melhores noites que vivi de Fantas sucederam-se nas estreias de filmes desastrosos, que trato de vaiar assim que chegam ao fim. Não há como ser público-cobaia para uma cagada ibérica como o “Stranded”: produção da Antena 3 espanhola que se aventura pelo género de ficção-cientifica existencialista tendo como intérpretes o Joaquim de Almeida (ressacado), a Maria de Medeiros (literalmente perdida) e o Vincent Gallo (mão que embala a mais despropositada cena que sugere uma punheta acabada de acontecer). Todos fazem papel de astronautas. Não é todos os dias que se reúne um naipe com estas garantias. O filme é evidentemente mau e, talvez por consequência, profundamente obscuro (nunca o vi na TV ou em qualquer videoclube). Mas quando presenciado no Fantas, que o exibia em regime de ante-estreia semi-pomposa, o “Stranded” passa a ser um “happening” mórbido que força o abrandamento do público, que, tanto quanto me lembro, não parou de troçar aquela merda. Eu só pensava: é pá! E se a realizadora Luna está sentada entre nós? Bem… Esse é um mal a que todos os novos realizadores estão sujeitos quando apresentam os filmes num festival. O Panda recomenda o “Stranded (Naufragos)” como o filme “Pain and Love” (rubrica cunhada por Marc Bolan) desta semana. “Dor” pelo tédio que o filme provoca e “amor” porque não há como recusar um “troll” como este.

O post clubístico que honra um dos padrinhos espirituais desta casa

Ok, sejamos francos e acabemos já hoje com a medição de argumentos entre os 2 grandes e o outro.

O Porto tem o domínio do futebol nacional, e uns quantos picos internacionais, desde há demasiados anos.

O Sporting tem um urinol e um lobby betinho que mete nojo.

O Benfica tem o carinho e preferência do Panda Bear.

A discussão termina aí.

Ser benfiquista é ter na alma o refrão da “My Girls”.

As diferenças entre Bambaataa e DJ Premier

No fundo, é vaga e virtual a noção que tenho de como danças. O pouco que sei foi projectado com base em episódios verbalmente partilhados, entre outras trivialidades que nos distraem do compasso doloroso dos dias da semana. Eu, apesar de alguma inépcia, danço por natureza e por nunca saber ao certo em que altura a noite silencia o samba. Danço ao som da boa música e da má também. Só agora reparo que tenho os Vans descaradamente rotos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

E notícia foi também... (o 100º post)

Neste dia histórico, mais importante do que a chegada do Obama à Casa Branca será a chegada do Meo à Casa Panda.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Kick, punch, cock

Espero não atraiçoar o segredo mantido por uma geração de aficionados e curiosos, mas acho sempre graça quando alguém recorda que “Karaté Sueco” era o nome de código para pornografia em VHS, partilhada no Secundário através de um sistema rotativo nem sempre claro em relação a onde parava cada cassete, de onde tinha partido e o porquê do aspecto que revelava ao trocar de mãos.

P.S.: Quicas, aquele filme da Rose, em que ela dizia “First You Gotta Smell The Rose.”, era muito mau: 3 ou 4 cambalhotas em hora e meia era o suficiente para lixar o vídeo todo com o Fast Forward.

Um Postal Virtual para Si (este post é spam emocional)

A altura em que eu tinha hora certa para regressar a casa foi curiosamente a mais dominada por um convívio aberto com alguns tóxicos. Tivesse eu direito a toda a noite e provavelmente não era tão sôfrego entre as 19 e as 23 (hora ideal para “A Grande Descida”). Isso interessa apenas para explicar o estado de semi-embriaguez em que me encontrava quando falámos do “Buffalo 66”, certamente, e do “Happiness”, creio. Clássicos indie de final da década de 90. De um modo perfeitamente gratuito, disseste-me “Amo-te.”, como se a noite e a “martelada” do Virtual ensurdecessem a palavra. Tinhas os olhos de um Papa Chango anoréctico. É óbvio que celebravas apenas a empatia em relação ao Vincent Gallo, tanto mais que o teu namorado até estava por perto e aquele não era o contexto adequado para equacionar sequer as consequências da palavra. Foi um pouco como em Barcelona, onde os amigos se beijam na boca quando se encontram além da meia-noite no Razz ou isso. As horas AM abreviam também o nome do tesouro que escondem. Ainda assim, nunca me esqueci de como foi bonito. Quase tão bonito como a noite em que praticamente vomitei para cima do Paulo Gonzo e da Sofia Aparício.

Considerações adicionais sobre a minha duradoura relação com o Lidl

Hoje comprei uns cereais “Master Crumble” que me deixaram com a ideia de que estava a comprar um box set de Manowar.

Quando estou diante da variedade de barras de cereais, é inevitável perguntar a mim mesmo:”Qual era aquela que comprei certa vez que tinha um ligeiro sabor a vómito?” Para evitar e não para comprar.

A “Concepition” de Chet Baker será muito provavelmente a melhor música que existe para escolher cogumelos frescos e pêra-rocha.

Pátria, família e plágio

Fico feliz por saber que vivi até ao dia em que será possível ver o Diogo Morgado a interpretar Salazar.

Fátima’s Milk

Tenho ideia de que alguns espectadores do talk-show “Fátima” terminam agora o programa com enorme vontade de ouvir o “Mother’s Milk” de Red Hot Chilli Peppers.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Em elevadores mal-cheirosos, em viajens de carro até ao Lidl, enquanto me preparo para sair

Canto a “I Fall In Love Too Easily” do Chet Baker como quem se exorciza da possibilidade de tropeçar na armadilha que é uma franja e alguma simpatia.

A massificação de audiências e os danos impostos no humor inconsciente

Ultimamente tenho reflectido mais sobre uma noção que me persegue desde há muito tempo: até que ponto certo programa ou vaga de filmes pode ser involuntariamente engraçado sem atrair uma consciencialização que o obrigue a ser muito mais planeado? Planeado de modo a satisfazer o público que o adoptou por encontrar ali palhaçada e autenticidade (que podem ser duas partes de um mesmo núcleo). É inevitável reparar que alguns formatos televisivos, pensados com a mínima seriedade, atraem um vaga inicial de culto quando, por uma ou outra razão, oferecem comédia sem ser esse o seu propósito original. A partir daí, é curioso pensar que a graça abandona o seu foco à medida que a produção do programa adequa o formato a um público maior que muitas vezes ali chegou ao interceptar o entusiasmo dos espectadores pioneiros que formaram a primeira vaga de culto. Mesmo que este encadeamento sugira algumas noções que podem roçar o ridículo, importa tentar imaginar como seria o médio prazo de um programa obscuro e hilariante, caso os seus primeiros seguidores não partilhassem o gosto por ele.

Neste caso, o melhor é exemplificar: o rei dos programas de culto da minha geração, “Made In Portugal”, é um caso saliente por ter permanecido geralmente imperturbável em relação à qualidade inferior de alguns dos telediscos exibidos. Se bem me recordo, o apresentador Carlos Ribeiro nunca sugeriu qualquer chacota ou arrogância quando deu tempo de antena a clássicos “trash” como “O Gorila” de Márcio Lee ou “Na Boquinha da Garrafa” do debochado colectivo Krypta. O primeiro teledisco, além de um refrão “maroto”, tinha como protagonista um gorila minimamente convincente filmado com notório amadorismo; o segundo roçava muitas vezes a indecência com imagens de uma bailarina (“raimunda”) seduzida pela forma fálica de uma garrafa. Ambos recuperavam alguma da desproporção monstruosa dos estúdios Toho em montagens que servem como precioso kitsch para quem as conseguir recuperar. Devem ser pérolas raras.

Há que louvar o “Made In Portugal”, um dos mais intocáveis tesouros da televisão portuguesa do último quarto de século, pela perseverança e firmeza demonstrada à medida que atraía o público mais interessado em observar as fragilidades dos telediscos caseiros, obtendo enorme gozo com isso (“Toxicodependente Recuperado” de Mário Jorge é outro caso espalhafatoso na apropriação que faz do drama provinciano do drogado que não consegue cortar com o passado). Não será fácil respeitar uma significante falange de público que assistia ao programa para ficar a par das novidades no terreno da canção popular portuguesa e, ao mesmo tempo, manter a seriedade enquanto se anuncia a passagem do teledisco “Praia do Nudismo” ou o tardio hino de emigrante, “Tá qui tá qui, tá lá” (os nomes podem não estar exactamente correctos). “Made In Portugal” manteve-se na grelha da RTP durante temporadas várias sem alienar os vários públicos. É quase único nessa façanha.

Mais tarde, a longa mutação sofrida pelo programa “N Amadores” (exibido na extinta NTV) ilustra perfeitamente a influência que uma adesão massiva de público pode ter na linha editorial da tal hora de televisão. Antes de ser um fenómeno, o “N Amadores” era um magazine – orientado por uma ética jornalística - dedicado aos escalões amadores de futebol, o que muitas vezes equivalia a reportagens sobre derbis de dimensão regional e o apanhado cru das eventualidades desses (não há como esquecer o riso medicinal provocado por alguns festejos de golo únicos – acenar a bandeirola de canta - e outras tantas batalhas campais). O meu caro amigo Miguel Gomes discorda desta minha perspectiva, que aponta o “N Amadores” como programa de vocação séria, argumentado que já nessa altura o magazine explorava a margem humorística proporcionada pela pobreza dos jogos e estádios retratados e pela riqueza vernacular das “lendas locais” que eram entrevistadas entre os lances decisivos. Diria, aceitando um meio-termo, que o “N Amadores” nesse momento era já um programa rendido ao que o público esperava dele (mais “cromos” entregues a solilóquios delirantes, mais histórias de balneário, uma apreciação mais abrangente do pequeno Portugal que servia de contexto a desafios muito fraquinhos). É fácil constatar que, quando mereceu o nome de “Liga dos Últimos” e, mais tarde, a apresentação “descontraída” de Álvaro Costa, o formato estava já perfeitamente enquadrado no aproveitamento máximo seu rendimento cómico, com as entrevistas sucessivas ao Capitão Moura e tudo mais. Inteligentemente, a própria RTP soube acentuar os contrastes ao colocar o programa “N Amadores” logo após o magazine da “Liga dos Campeões” (apresentado por uma das mais bonitas e exóticas figuras da televisão portuguesa actual).

Numa ala diferente, mais receptiva a integrar a ficção, encontram-se casos marcantes como “Nunca Digas Banzai” (Jogos Sem Fronteiras com um twist masoquista), que a SIC dos primeiros tempos tratou de aproveitar como veículo para fazer humor com alguns nomes actuais (os concorrentes japoneses eram entrevistados como ministros e celebridades do nosso país). O “Takeshi’s Castle”, nome original da série, inverte um pouco a tendência mencionada no título do post e coloca a SIC no lugar de quem aproveita antecipadamente o potencial patético do programa mesmo antes do público se pronunciar. Não é muito definida a minha ideia dos primeiros tempos de “Banzai”, mas calculo que tenha já nascido entregue a um total carnaval de referências trocistas.

Aproveitando “Banzai” como ponte para o cinema de artes marciais, não há como deixar de fora a quantidade industrial de paródias que se fazem hoje orientadas no sentido de satirizar alguns filmes de porrada produzidos na Ásia com orçamentos reduzidos. Atente-se, por exemplo, a “Kung Pao”, “O Panda do Kung-Fu” (popular à escala global) ou ao híbrido “Shaolin Soccer” (que explora uma premissa pretensamente séria – a luta do bem contra o mal -, embora arruinada por um exagero grotesco): todos repescam alguns dos traços dos filmes de artes marciais, ampliando o factor mais ridículo ou carinhosamente estúpido de cada um desses. Muitas vezes sem a perspicácia sublime dos Monty Python, que subvertem todo o imaginário das Cruzadas no “Holy Grail”. Será de enorme dificuldade tentar criar um índice de popularidade que avalie os filmes de Ninja mais apreciados por um público maior (a série simplesmente intitulada “Ninja” é um bom ponto de partida), mas a soma dos casos isolados, que manifestam gosto pela parvoíce e debilidade de um filme de Ninjas, formam uma vontade e um ideário de humor que abre depois uma oportunidade a ser explorada pelos grandes estúdios. O “exploitation” gera “exploitation”, e acabam por ser produções quase irrelevantes como “Ninja Dragão” (jóia da coroa Godfrey Ho e favorito meu que pode ser sondado aqui: http://www.youtube.com/watch?v=WNzFHSVqur8) a servir gigantes de popularidade como “Kung Pao” e outros. O público, fragmentado em mil, adere ao produto original e, depois unido, à paródia que sumariza o conjunto de filmes autênticos. Dá que pensar.

Hoje, a Benfica TV vai tentando explorar um terreno fronteiriço (entre o imbecil e o desportivamente relevante) com os jogos relatados por José Carlos Soares (jornalista de declarada vocação sensacionalista desde os tempos do OVNI “Bombástico”). Enquanto o público não se converte totalmente ao quase-ridiculo das transmissões dominadas por imagens dos comentadores, do público e dos bancos de ambas as equipas, vai passando impune essa pobreza de hora e meia sem o clímax do jogo que deve ser as grande jogadas e os golos. A Benfica TV, nos jogos em que não está autorizada a filmar o relvado, abre espaço para os apreciadores do estilo espontâneo e corriqueiro de José Carlos Soares até à altura em que for firme a noção nacional de que algo de inacreditavelmente estúpido por ali se passa. Quando assim for, vai ser tarde demais para testemunhar a verdade apatetada que hoje abunda nas transmissões “marginais” dos jogos na Benfica TV. A massificação do público aniquilará o riso sincero.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Não te metas nessas barafundas polacas. Dorme comigo esta noite, Laura Dern.

Pior do que não saber por onde alguém amado é combinar essa incógnita com filmes do David Lynch na RTP2.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Rewind, Button, rewind!

Sim, toda a gente parece já saber que o “Estranho Caso de Benjamim Button” é basicamente o “Forrest Gump” invertido. As semelhanças são tantas que eu teria de mudar o nome do meu blog se as nomeasse a todas. A narração também é decalcada ao “Titanic”. Bem, à parte do encadeamento de cenas cliché para Academia ver, o filme é muito chato e esgota-se em 35 minutos. Em certas alturas, o conceito quase parece pertencer a uma das três histórias num episódio de Halloween d’ Os Simpsons onde vale tudo. No “Benjamin Button” quase nada vale. Na verdade, achei a Cate Blanchett mais bonita do que o habitual. Uma vez mais volto para a casa com a sensação de que fui aldrabado e com as propostas habituais para reflexão à consideração de mais um filme muito bera. Passo a expor:

- Eu até acho que o Brad Pitt fica muito bem a imitar o Steven McQueen nas cenas em que anda de mota, mas o filme não inclui cenas de sexo porque a nudez do Brad Pitt seria sempre pretexto fatal para eclipsar toda a relevância daquele e de qualquer filme? É o código de interesse da impressa cor-de-rosa que agora dita a edição dos filmes?

- Será que o filme resultaria muito pior se fosse realizado pelo Ron Howard e protagonizado pelo John Travolta, como chegou a estar planeado? Fosse assim e a pastelice não surpreenderia assim tanto…

- Os primeiros filmes do David Fincher assim eram – energéticos e rebeldes – só por efeito da tesão do mijo? Não era este gajo que há uns anos ia realizar uns filmes de porno gay? Antes fosse…

- Um cameo do Maddox não era crucial para tornar esmagadora a pretensão de “tearjerker” desta merda?

- A fórmula para atrair Óscares tem de passar sempre pela equação Três Actores Britânicos + Um Consagrado Americano?

- Ninguém se lembrou de um Michael Caine a inalar éter sofregamente e a repetir muito solenemente “Good Night, Benjamin.” , “Good Night, Daisy.”? As cenas do relâmpago não são directamente decalcadas ao “Magnolia”? Não é o mais preguiçoso mecanismo de “comic relief” que viram num filme nos últimos três anos?

- É normal um filme encadear um reencontro entre os protagonistas amorosos passando, em 3 minutos, de um “Olá, tudo bem? Bora jantar.” a uma dança em que ela praticamente suplica por ser pinocada enquanto dança junto à fonte? Aquele Capitão Mike não era o Gary Sinise com tatuagens? O personagem da Tilda Switon não é estupidamente unidimensional? Toda a proporção Michael Bay da cena do submarino não é perfeitamente ridícula? Foda-se, o Brad Pitt não tem melhor que fazer em casa?

- Pontos também para a metade masculina do casal que, na fila de trás, honrava o começo das cenas mais quentes (dois beijos e uma porta fechada) com um “Ai Jesus!” ou o choque por parte da Daisy ao reencontrar o Benjamin mais novo com um “Agora é que ela se passa…”. Obrigado por esse Comentário do Casal. Tornou menos dolorosas as últimas duas horas de filme.

P.S.: Acredito que a Lusomundo tenha também os seus limites de orçamento, mas misturar venda de pipocas com a venda de bilhetes é coisa que nunca se viu. São absurdos os 10 minutos de fila para ir levantar bilhetes, quando perdidos atrás de uma família de betos indecisos entre Sprite e Coca-Cola zero.